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O preço da sua vida

15 de maio de 2019

É assombroso o desdenho de algumas pessoas com a própria saúde. Quando se faz um procedimento estético, devemos lembrar os riscos à vida.

 

É claro que a escolha do profissional para a realização de uma cirurgia eletiva ideal será decidida mediante a interação de alguns elementos tais como resultado, segurança, durabilidade, preço e, para alguns, ostentação.

 

Mas quando o preço é colocado à frente de todos os outros elementos, e só para ser mais claro, o famoso mais barato, pode-se esperar um resultado desastroso!

 

O valor de uma cirurgia plástica envolve a soma de insumos e mão de obra, ambos podendo ser superfaturados pelo hospital e profissionais, respectivamente.

 

É aconselhável pesquisar valores, fazer consulta com mais de um profissional. Pelo menos três. Preços abaixo da média são indicativos de que algo está errado; exceto quando o procedimento é de baixo custo e complexidade: estes viram commodities! Ou será que algum agricultor aqui, numa mesma época, consegue vender sua soja mais cara que a do vizinho?

 

Preços acima da média podem ser superfaturados mediante o entendimento do médico-vendedor da necessidade de ostentação da (o) paciente. Por outro lado, preços mais elevados também podem se referir à exclusividade que aquele profissional tem na região.  Se só ele faz ou resolve tal problema, ele vence as barreiras definidoras de preço do mercado e define o valor do que chamamos de “padrão ouro”, ou seja, por definição, a excelência num produto ou mão de obra.

 

Você não precisa operar com o melhor se não estiver disposto a pagar o preço. Comparando, pode, tranquilamente, se apresentar em reuniões com ternos nacionais sem a necessidade de estar com um Armani, Hugo Boss ou Ermenegildo Zegna. Assim como um Uber te leva a qualquer lugar, a Ferrari se destinará à primeira classe da Cirurgia Plástica.

 

O problema reside nos perigos do “bom e barato”, ainda mais em se tratando da própria saúde. “Esses dias uma paciente me perguntou se operar tem risco. Gosto de fazer uma analogia com um voo de avião; até porque os riscos de algo dar errado numa cirurgia são os mesmos de uma aeronave cair caso ambos os procedimentos tenham sido submetidos ao logaritmo de redução de risco. ‘E como se diminui os riscos Doutor?’ Os riscos de uma cirurgia estão escondidos em 3 partes fundamentais para que ocorra o ato operatório: escolha do médico, do paciente e do hospital.” Explica o médico Marcus Härter – CRM     RQE

 

ESCOLHA DO MÉDICO

 

A formação básica de um cirurgião plástico, atualmente, tem a duração entre 11-12 anos. Seis anos do curso de medicina, 2-3 anos de cirurgia geral e, por último, 3 anos de residência médica em cirurgia plástica.

 

De todos os serviços de cirurgia plástica, existentes no País, sabemos que 90% são vagas de cursistas da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP); estes não recebem bolsa de estudo durante a formação e, inclusive, às vezes até pagam. Cursistas da SBCP têm a obrigação de prestar a prova de título ao finalizarem o curso, pois somente serão considerados cirurgiões plásticos mediante a aprovação nessa prova.

 

Aquelas outras 10% restantes, são vagas de especialização pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC), geralmente destinadas aos candidatos que passaram em primeiro lugar no concurso ou para todos os candidatos que foram aprovados em serviços que disponham apenas deste tipo de vaga. Esses não têm obrigação de prestar a prova de título da SBCP, pois são, automaticamente, considerados cirurgiões plásticos ao completarem a especialização.

 

Em suma, tanto cirurgiões plásticos capacitados pelo MEC como os capacitados pela SBCP são profissionais com a devida formação para exercer a cirurgia plástica, equilibrando segurança com resultado.

 

Apesar da formação, existe a habilidade natural, essa dom Divino, e nem toda a formação poderá equiparar a esse fator que faz um profissional com o mesmo currículo acadêmico, se destacar mais que outro.0

 

Num mundo no qual a sensação pós-venda passou a ser imperial diante da compra de qualquer produto, sugiro aos pacientes usar a criatividade para pesquisar a sensação pós-venda da cirurgia que planeja se submeter.

 

PACIENTE

 

Tabagismo, doenças subclínicas (que ainda não apareceram para o paciente: arritmia cardíaca, por exemplo), uso recreativo de drogas, dentre outras situações, estão entre os fatores que podem proporcionar risco à cirurgia.

 

E como diminuir isso? Consulta médica!

 

É neste encontro que o médico vai lhe entrevistar (anamnese), saber sobre sua vida médica pregressa. Com poucas perguntas o profissional competente já conseguirá eliminar mais de 800 doenças que o paciente nem imagina que poderia ter. A solicitação de exames pré-operatórios encerra essa segunda parte de rastreio dos riscos.

 

Obs. Pague por essa consulta. Ninguém trabalha de graça, mas quem tenta, faz mal feito.

 

HOSPITAL

 

Espera-se que o hospital onde ocorrerá o procedimento tenha os pré-requisitos funcionais para a realização de qualquer cirurgia plástica. Lembre-se de que beleza nem sempre é segurança. Bons hospitais estão muito mais alicerçados numa organização interna de práticas e condutas do que numa estrutura física imponente. As faculdades públicas, em geral, são boas pelo corpo docente e não pela estrutura física. Quem estudou em uma sabe do que estou falando.

 

Por último, o seu cuidado com sua vida é tão grande quanto o cuidado de um médico bem formado com sua vida profissional. Se ele gosta de tal hospital, confie. A vida profissional dele também está em jogo.

Aliás, se você encontrou um médico bom, automaticamente você encontrou uma equipe boa e um hospital bom. Profissionais de alto gabarito só se acompanham de profissionais de alto gabarito.

 

Toda essa explicação é, mais uma vez, para educar quem não tem a mínima noção do caminho a seguir.

 

Caso você tenha errado na escolha e isso provoque um mal resultado cirúrgico, após alguns desentendimentos com o profissional que te operou, você vai começar a procurar outros, e estas são as quatro respostas que você vai encontrar:

 

  1. Volte ao médico que te operou primeiro. (Esse só quer operar “filé”).
  2. Cobra preço absurdo para resolver o problema. (Mais de 100 mil reais. Na verdade, esse médico não quer se envolver no caso).
  3. Não me sinto capaz de resolver o teu problema. (Honesto e raro).
  4. Propõe-se a fazer e cobra um preço justo frente às dificuldades técnicas e à litigiosidade do caso. (Sem medo de parecer arrogante, esse sou eu).

 

 

 

Dr. Marcos Härter
Cirurgião Plástico
CRM MT 7554 – RQE 139213

(11) 95780-0655
(66) 99979-4862

INSTA: @drmarcosharter
FACE: /marcosharteroficial